O Meu Canto

Um site Sobre Mim!

  • Hoje os hospitais já têm cadeirões, forrados a napa, que se reclinam e proporcionam alguma comodidade. Quando eu era pequenino, a minha mãe dormia numa cadeira de plástico, com a cabeça apoiada na minha cama. Claro que não dormia nada de jeito. Até porque ao mais pequeno chamamento ou gemido, imediatamente se levantava para saber o que é que eu precisava!
  • Era muito importante que as mães participassem nas actividades dentro de enfermaria onde estávamos. Os médicos e as enfermeiras estavam sempre a dizer isso. Gostavam que fossem elas a dar os medicamentos aos seus filhos, que os mudassem, que lhes dessem de comer e os vestissem.
  • Eles queriam isso, não para se livrarem das suas obrigações, mas para permitirem que as nossas mães tivessem um contacto mais intenso e próximo de nós (doentes), que afinal eramos os seus filhos, e isso dava-lhes uma sensação de maior confiança.
  • Logo de manhã, por volta das oito horas, enquanto se fazia a mudança do turno da equipa médica, começavam a muda das camas.
  • Se nós pudéssemos mexer e levantar, íamos para casa de banho e com as nossas mães fazíamos-lhe lá a higiene matinal. De seguida íamos para o quarto e ficávamos numa cadeira enquanto, as nossas mães, mudam os lençóis da cama.
  • Se estivéssemos acamados e não nos pudéssemos levantar, faziam-nos a higiene ali mesmo.
  • Para isso, davam às nossas mães pequenas bacias de água, morna com sabão líquido desinfectante, e ainda toalhetes turcos. Devagar, sempre com muito cuidado, o corpo dos meninos eram lavados de alto abaixo, e só depois é que mudavam os lençóis da cama. Com eles ali deitados, e agora com ajuda de uma enfermeira, empurravam o corpinho dos filhos para um lado da cama e devagar o lençol, primeiro do lado onde ele não estava, depois empurravam o corpinho dele para esse mesmo lado e retirava o resto que faltava.
  • Para meter o lençol lavado, fazia-se exactamente da mesma maneira!
  • Não quero deixar de falar do ambiente de solidariedade e entreajuda que se vive nos hospitais.
  • Quando nos deparamos com situações como a nossa, em que grande parte da nossa vida é ali passada, os nossos pais ao verem os filhos acamados, ficam fragilizados, por um lado, mas fortes e atentos por outro. Cientes da condição fraca de pais doridos, o consciente deles obriga-os não deixar passar essa fragilidade para nós, obrigando-se a sorrir quando na realidade só lhes apetece chorar. Por outro lado, cruzamos com outros meninos que, pelo mais variado tipo de doença, se encontram numa situação idêntica à nossa. Aí trocamos impressões, experiências, histórias de vida e ajudamo-nos mutuamente. Sempre que um menino precisa de ajuda, o que está mais forte vai socorrê-lo e até os pais se ajudam mutuamente. E se um menino chora vão logo em socorro, tentar perceber em que podem ajudar, como se fosse o filho deles.
  • É o apoio mais genuíno e puro que se pode ter. Ali estamos todos em pé de igualdade e apoiamo-nos uns aos outros sem reservas, sem medo de mostrar as nossas fraquezas e os nossos medos.
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